Caminho Cervejeiro — Rota de cervejarias em Florianópolis

Texto: Fabiane Pereira/RC | Foto destaque: Juarez Schmitt

Resultado de um trabalho conjunto entre a União Cervejeira da Região Metropolitana de Florianópolis e a Associação dos Empreendedores de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais da Região Metropolitana de Florianópolis (Ampe), a rota turística Caminho Cervejeiro foi criada em 2016 com o objetivo de promover o turismo, tendo em vista o potencial cervejeiro da região.

A ideia central é fazer com que moradores e turistas possam ter experiências junto à produção de cerveja, conhecendo processos, a qualidade do produto e toda a cultura que existe por trás desse universo. Tudo isso aliado às outras atrações turísticas da região. “Para a criação da rota, foram realizados diagnósticos empresariais, planejamento estratégico, missão empresarial, ações de acesso a mercado com participação em eventos de turismo, capacitações e consultorias, além de ações de promoção institucional do Caminho Cervejeiro da região”, conta Piter Santana, presidente da Ampe.

Foto: Eduardo Monteiro

Seis cidades compõem a rota: Águas Mornas, Florianópolis, Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz, São José e  Tijucas. À frente da promoção das atividades estão as cervejarias Bayer Bier, Cervejaria da Ilha, Faixa Preta, Jester, Kairós, Nefasta, Sunset Brew, Unika e Weinmann — para participar do Caminho Cervejeiro, a cervejaria precisa estar instalada na Região Metropolitana de Florianópolis e ter registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O visitante pode escolher à vontade as visitas, mas também existem opções de pacotes com roteiros comercializados por agências de turismo, inclusive de outros estados. Outra opção é acessar o site caminhocervejeiro.com.br que traz um roteiro organizado, passando por todas as cervejarias da rota.

Turismo e conhecimento

A Nefasta, localizada em São José, faz parte da rota desde 2017 e oferece atividades de segunda a sábado, a partir de reservas feitas com dois dias de antecedência. Os horários e quantidade de participantes são negociáveis e o valor cobrado é de R$ 60 por pessoa. A cervejaria é a única na região que conta com uma estrutura com fábrica, loja de insumos e equipamentos para quem faz cerveja em casa e bar com 10 torneiras de cerveja.

Foto: Divulgação

Os visitantes são recebidos na loja e iniciam a visita conhecendo os insumos utilizados na produção. “Neste momento, proporcionamos uma experiência bem legal, na qual os visitantes podem provar, tocar e cheirar os maltes, os lúpulos e as leveduras, ou seja, podem ter um contato direto com os ingredientes básicos das cervejas. Para muitos deles, este é o primeiro contato que têm com os ingredientes, o que torna a visita bastante interativa”, conta Gabriela Arcari Drehmer, sommelier da Nefasta. Após, é iniciada uma visita guiada à fábrica, em que são explicadas todas as etapas do processo de produção. O roteiro é finalizado no bar, com a degustação de quatro estilos, acompanhados de pão de malte com antepastos.

Aberta a todos os públicos

Foto: Divulgação

Outra cervejaria participante é a Sunset Brew, de Tijucas, que aderiu à rota em 2017, meses após iniciar a sua produção. A Sunset, localizada às margens da BR 101, oferece visitação com degustação de cinco estilos, por meio de horários previamente agendados, de terça a sexta-feira, das 14 às 19h, no valor de R$ 30 por pessoa. Dias e horários alternativos para grupos podem ser negociados.

“O propósito da empresa foi aperfeiçoar no âmbito da fábrica, com apoio profissional, os serviços oferecidos nas visitas, tais como o conteúdo teórico repassado, a degustação de cervejas e outras experiências sensoriais vivenciadas nesta atividade. O trabalho conjunto com as demais cervejarias proporcionou outras ações coletivas, como eventos e agora a compra coletiva de insumos, que começou a ser exercitada”, explica Giovana Petry, fundadora e diretora de marketing.

Ela conta que o público participante é bastante heterogêneo. São recebidos desde profissionais do setor, que buscam informações bem específicas, até curiosos que começam a se interessar pelo processo de fabricação de cervejas. “Para cada tipo de público, utilizamos uma abordagem diferenciada. Mas todos são muito bem recebidos, pois temos a compreensão de que o assunto é relativamente novo para a maior parte das pessoas.”

Região promissora

Além das cervejarias, a rota conta com o apoio da Ampe e do Sebrae-SC. Piter, presidente da instituição, destaca como pontos fortes do passeio a possibilidade de combinação com outras atrações turísticas da região, como as praias, a serra ou as próprias áreas urbanas. “É difícil uma região com tanta beleza e diversidade de paisagens, todas harmonizando perfeitamente com nossa excelente cerveja”, salienta. De acordo com o representante da associação, o movimento cervejeiro na região está forte e organizado pelas instituições associativas.

Além da produção, muitas cervejarias estão abrindo os seus locais de venda direta ao consumidor e conquistando mais espaços nos bares e mercados das cidades. “Florianópolis e região vêm crescendo vertiginosamente no que tange a cerveja artesanal, tanto em questão de abertura de novas fábricas quanto de bares especializados nesse produto. Percebemos um forte movimento para firmar de vez a cidade como um polo turístico cervejeiro no estado”, diz Gabriela, da Nefasta.

A diretora de marketing da Sunset Brew ainda complementa, destacando a formação de profissionais na região e o apoio de instituições como o Sebrae e Acerva Catarinense. “A região é uma das mais avançadas do país, em termos de conhecimento cervejeiro. Não temos dados estatísticos ainda catalogados, mas o número de profissionais com formação — cervejeiros, beer sommeliers e técnicos cervejeiros — é surpreendente. Periodicamente, são oferecidos treinamentos de nível bastante elevado.”

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