Empreendendo na América — Como eu vim parar aqui?

Por Linus de Paoli, empreendedor novato, cervejeiro, Certified Cicerone®, ex-engenheiro de desenvolvimento de veículos e ex-guia etílico-turístico.

Depois que chegamos aqui em Michigan a gente tem ouvido essa pergunta sempre que conhecemos pessoas novas. Afinal, o que leva um casal de brasileiros morando na Alemanha a se mudar para o oeste do estado de Michigan.Pois é, às vezes, nem eu me lembro direito como a gente veio parar aqui. Ser dono de cervejaria no oeste de Michigan, ou mesmo nos Estados Unidos, nunca esteve nos nossos planos.

Na verdade, lá para 2018, 2019, estávamos pensando em empreender no sul da Europa. Não que a Alemanha seja um lugar ruim para morar, afinal amávamos morar em Colônia. Só que o clima não é dos mais amigáveis para pessoas que cresceram em um país tropical. Por isso estávamos de olho em talvez mudar para Portugal, sul da Espanha ou até França ou Itália. Mas às vezes a vida apresenta possibilidades melhores para a gente.

Dezembro de 2019 recebi uma chamada de um amigo que conheci em Berlim, 2018. Ele era dono de uma pequena cervejaria em Michigan e estava querendo se aposentar e nos ofereceu o negócio. Depois de visitar o negócio e fazer as contas resolvemos encarar mais essa mudança de rumos e país. Daí o próximo obstáculo foi o visto (e o Covid, afinal a pandemia já estava entrando com tudo nas paradas pelo mundo todo final de março de 2020).

Algo que ajudou muito no processo de visto foi o fato de eu ter cidadania italiana, o que me permitiu aplicar para um visto de investidor para países que tem tratado com os EUA (o Brasil infelizmente não faz parte destes). Esse tipo de visto facilita pois não existe um valor de investimento mínimo no país para ter o visto concedido, mas a documentação necessária continua sendo extensa. Além de provar de onde o dinheiro vem para garantir que não vem de nenhuma atividade ilícita foi preciso apresentar um plano de negócios com projeção financeira de pelo menos cinco anos. Documentação necessária para o visto mas que nos ajudou a ir formatando o que seria a cervejaria para quando nós assumirmos ela.

Para isso, contei com a assessoria de dois profissionais do mercado cervejeiro americano, um de marketing e vendas com a revisão do plano de negócios e outro da área financeira para a análise de fluxo de caixa. Afinal, sempre fui da opinião que se não sei fazer algo, melhor contratar um especialista como consultor do que fazer mal feito. Seis meses depois do processo todo ter começado os consulados reabriram e conseguimos a tão esperada entrevista e a emissão do visto autorizando não só o negócio como a mudança de país.

Chegamos em Michigan no começo de dezembro de 2020 ainda no meio do segundo lockdown no estado e já muito atrasados no processo de licenças para poder realizar a transferência do negócio. A primeira dificuldade foi que com o lockdown os escritórios do governo federal e estadual estavam fechados. Demoramos mais ou menos dois meses para conseguir o registro no seguro social e a identidade, coisas que em tempos normais demoravam dias para ficarem prontos. Nesse meio tempo mais atrasos na licença e aos poucos fui aprendendo que empreender na América pode ser fácil desde que não seja com ebida alcóolica ou jogo.

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