Mundo dos queijos — Olhos que condenam

Juliano Mendes, fundador da Eisenbahn, foi um dos pioneiros no mercado de cervejas especiais no Brasil. De cervejeiro virou queijeiro, com a Pomerode Alimentos, produtora dos queijos especiais Vermont.

Não, não vamos falar de séries da Netflix. “Olhos que condenam” faz sucesso, mas os olhos daqui são os olhos dos queijos. Esses também fazem sucesso, mesmo quando não deveriam.

Posso apostar que no imaginário de 11 em 10 pessoas, uma peça de queijo tem aquele visual amarelo e uma massa cheia de furinhos, as chamadas olhaduras (em inglês, eyes). Como não remeter a essa imagem quando somos impactados desde pequenos, em desenhos animados como “Tom e Jerry”, a peças de queijos com essas características?

O problema é que a coisa atingiu tal nível aqui no Brasil que, para muitos, se o queijo não tiver olhaduras, não serve. Parece que virou uma espécie de selo de qualidade. Existe uma infinidade de queijos maravilhosos ao redor do mundo, a maioria deles  sem olhaduras.

Por aqui, produtores passaram a pegar qualquer queijo semiduro e produzi-los com furinhos. O Gruyère suíço, original, tem olhaduras? Não, mas não importa. O consumidor “quer” assim. O Gouda tem? Normalmente nada, ou muito pouco. Mas o “Gouda brasileiro” tem, e bastante. Tudo em nome da venda fácil. Dá trabalho e custa caro ensinar o consumidor. Então vai com olhaduras mesmo.

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Foto: Allyson Correia

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