Um passeio pelo Velho Mundo — Berlim parte II

Por Linus De Paoli, cervejeiro caseiro, Certified Cicerone®, engenheiro de desenvolvimento de veículos e guia etílico-turístico.

Muito tempo já se passou desde que postei a primeira parte sobre uma das minhas cidades  preferidas da Alemanha. Acho que nesse tempo de março do ano passado para cá, com uma pandemia acontecendo, ninguém deixou de ir a Berlim por falta da segunda parte né? Por incrível que pareça, mesmo com a pandemia rolando não deixaram de surgir coisas novas na cidade para o apreciador de cerveja.

Primeiro vamos falar dos lugares que já existiam na era pré coronga. A cervejaria BRLO é um powerhouse da cerveja artesanal na cidade. Não tão antiga como a Lemke mas talvez mais importante para a cena da cidade. A cervejaria fica na região de Gleisdreieck, um pouco ao sul da Potsdamer Platz. Toda construída com contêineres, o local além de ótimas cervejas e boa comida tem um charmoso beer garden para quando o clima permitir. Em 2018 a cervejaria expandiu e montou um centro de produção em
Spandau que serviu não só para aumentar a produção da BRLO, mas também para produzir para outras cervejarias sem planta própria na cidade, ajudando o movimento craft crescer.

A leste dali, no bairro de Kreuzberg fica o Biererei Bar & Vintage Cellar com talvez a melhor adega de cervejas raras no norte da Europa, e com certeza a melhor da cidade. Ótimas cervejas on tap e ótimo atendimento, geralmente feito pelo próprio dono, completam a experiência do local. Mudando de área e indo para um bairro não tão turístico e glamouroso da cidade encontramos ótimas e novas opções. Em Wedding temos a Vagabund e Schneeeule. A primeira foi fundada por americanos residentes em Berlim em 2011 como um brewpub especializado em lotes pequenos de cervejas contemporâneas. De lá para casa a pequena cervejaria cresceu tanto que em 2020 montaram uma cervejaria de produção com taproom
a apenas 1km do local original em um antigo prédio industrial.

A segunda, especializada em Berliner Weiße autênticas, carecia de um “taproom” próprio na cidade. E em 2020 isso finalmente aconteceu. Também em Wedding a cervejaria abriu o Schneeeule Salon für Berliner Bierkultur. Apesar da pandemia, os empreendimentos parecem estar sobrevivendo. E espero que
assim continue, porque eu quero muito ir lá conhecer os locais quando essa zorra toda
acabar. Se bem que ir a Berlim vai ser um pouco mais difícil agora do que era até dezembro passado. Acontece que eu e minha esposa mudamos da Alemanha para o estado de Michigan, no meio oeste dos EUA. Ano passado recebemos uma boa proposta para comprar uma nanocervejaria por aqui e resolvemos embarcar nessa. Afinal nada como uma mudança de país para empreender em um mercado super competitivo no meio de uma pandemia para deixar a vida interessante.

E por isso que vou encerrar essa sequência de textos sobre viagens cervejeiras na Europa por aqui. A intenção daqui pra frente é contar um pouco como está sendo essa experiência de empreender no ramo de cervejas nos EUA.

Leia a parte 1 aqui.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*