Para os amantes de cerveja artesanal, a degustação da bebida é um momento de pura apreciação, mas pode ser um pouco confuso saber por onde começar em meio a tantos estilos e sabores diferentes. Assim, preparamos algumas dicas que podem ajudar a embarcar neste mundo de experienciação.
Com mais de 200 estilos de cerveja, com os mais variados aspectos e sabores, pode ser um pouco difícil de entender por onde começar em uma degustação desta bebida. É importante, para um iniciante, iniciar com cervejas mais simples, sem tanta complexidade de sabor. “Assim vamos acostumando e ‘treinando’ o paladar, aprendendo a identificar sabores desconhecidos e evoluindo com o conhecimento que vamos adquirindo”, diz a sommelier de cervejas Marina Barboza Cervi, que compartilha aqui as melhores dicas.
O ideal para uma boa degustação é servir até cinco estilos, entre 100 mL e 150 mL em cada taça, já que o intuito é provar cada cerveja sem se embriagar com grandes quantidades. A ideia é ordenar as bebidas da menor potência alcoólica para as maiores e mais amargas, visto que cervejas mais potentes podem “apagar” a percepção de outras com menor potência, que acabam passando despercebidas se degustadas na ordem errada. Marina também enfatiza que a temperatura é importante para a degustação, de forma que nem toda cerveja deve ser servida a uma temperatura extremamente baixa. “No geral, o ideal é entre 6 °C e 12 °C. Alguns estilos costumam soltar notas aromáticas conforme perdem o gelo.”
A sommelier também indica que a avaliação da bebida começa antes mesmo de levá-la à boca: “Ao abrir uma cerveja, já percebemos pelo barulho se ela tem alta carbonatação, e ao colocar na taça podemos ouvir o som das bolhas da espuma se formando”. Cor, transparência, brilho e turbidez também são outros parâmetros a se prestar atenção, assim como a formação e duração da espuma e o tamanho das bolhas, que indicam um pouco mais sobre a bebida. “Então partimos para o aroma: aproximando o nariz da taça, podemos sentir aromas mais marcantes e óbvios. Persistindo numa inspirada mais lenta e longa, podemos perceber notas não captadas na primeira vez. Movimentos circulares da cerveja na taça ajudam a liberar mais aromas e outras notas escondidas”, revela Marina.
Em relação ao paladar, recomenda-se iniciar com um gole pequeno para percepção dos gostos básicos. Depois, no segundo gole, a orientação é manter o líquido sobre a língua por um tempo, a fim de reparar no tato. “Isso ajuda a perceber corpo, densidade, textura, carbonatação, aquecimento e outras sensações, como adstringência e picância.” Também é importante prestar atenção no sabor residual e por quanto tempo ele permanece na boca.
A sommelier também indica que água e miolo de pão branco ajudam a limpar o paladar entre uma bebida e outra. Já que o foco da degustação é a percepção das cervejas, alimentos não neutros podem interferir na percepção de sabores.
Marina também deixa algumas dicas para quem está iniciando na degustação de cervejas: “Praticar a análise sensorial, sentir aromas de coisas óbvias que não temos o costume de perceber (como frutas, condimentos e temperos), dedicar tempo e atenção a essas atividades e experimentar variados estilos de cerveja (com foco na degustação e não na bebedeira, claro)”.
A sommelier também aconselha a abrir a mente para experiências sensoriais, mesmo que a ideia a princípio não agrade. “Podemos quebrar paradigmas e nos surpreender positivamente”, diz ela. Além disso, ela deixa uma lista de estilos recomendados para iniciantes, já que é importante experimentar estilos de diferentes categorias de sabor, sugerindo escolher uma de cada:
- Leves e refrescantes — Bohemian Pilsner, Munich Helles, Vienna Lager.
- Lupuladas e amargas — English Pale Ale, Session IPA, IPA.
- Maltadas e adocicadas — Munich Dunkel, English Brown Ale, Bock.
- Tostadas — Schwarzbier, Dry Stout.
- Frutadas e condimentadas — Weizenbier, Witbier, Belgian Blond Ale, Dunkel Weizen.
- Ácidas — Berliner Weisse, Catharina Sour.
Imagem: ELEVATE/Pexels





