Ao experimentar uma cerveja artesanal tão em moda hoje em Curitiba, talvez a grande maioria dos curitibanos adeptos da bebida, não saibam que essa tradição cervejeira foi deixada de lado por conta das grandes guerras mundiais e começou em 1858 na capital do Paraná.
Essa história e a atualidade que coloca Curitiba como importante polo cervejeiro do país são temas do livro “Cervejarias de Curitiba”, escrito a partir da pesquisa realizada pelo historiador Victor Augustus Graciotto Silva e o designer José Humberto Boguszewski, com publicação pela Máquina de Escrever Editora e Produção Cultural.
Victor destaca que este boom de cervejarias que presenciamos hoje em Curitiba revela uma tradição cervejeira de mais de 150 anos, tema central do livro. José Humberto complementa falando da importância dos rótulos das cervejas, cujos símbolos, caligrafias e cores permitem entendermos mais sobre questões culturais daquele período.
Site das cervejarias
Para divulgar o livro e a pesquisa, foi produzido um site, o www.cervejariasdecuritiba.com.br com o objetivo de aproximar o público da história da cerveja em Curitiba. Nele se encontra trechos da obra, acesso a um acervo de rótulos das primeiras cervejas de Curitiba, fotografias inéditas de cervejeiros, das fábricas de cerveja e do hábito de beber cerveja de 100 anos atrás, além de uma série de sete vídeos com os autores contando sobre as histórias que têm no livro.
Mapa interativo
No site também será disponibilizado um mapa interativo indicando os caminhos atuais das principais cervejarias de Curitiba. Cervejarias em Curitiba: das casas dos imigrantes às fábricas. A história das cervejas artesanais, em Curitiba, começou em 1858 pelas mãos de cervejeiros alemães, italianos, suecos e austríacos. A produção era caseira e a venda era para vizinhos e familiares.
Curitiba era uma cidade pequena, com poucos habitantes e construções modestas. Os imigrantes europeus chegaram em levas, de forma gradual, promovendo um desenvolvimento da cidade ao longo das décadas. E a cerveja acompanhou este crescimento. De caseira passou a pequenas fábricas. E na virada de século, com máquinas de fazer gelo importadas da Alemanha. Abrimos o século XX com uma cerveja de baixa fermentação e com uma produção em expansão, tendo na Cervejaria Atlântica a sua maior fábrica que empregava mais de 300 funcionários em 1929. O hábito de beber cerveja era cada vez maior, acompanhando uma população que se divertia nos parques do Passeio Público, no Parque Cruzeiro e no Recreio da Providência.
Mas veio a Segunda Guerra Mundial e as cervejarias fecham. Após o término da guerra, restou apenas uma, a Filial da Brahma. E assim permaneceu até que um visionário alemão, em 1987, nos lembrasse que é possível fazer cerveja de forma independente e artesanal. Um respiro curto, mas suficiente para mostrar que era possível. E a partir da primeira década do século XXI, Curitiba explode de cervejarias artesanais e de uma infinidade de estilos e sabores. O novo que vemos hoje tem lastro lá no passado.
Serviço:
www.cervejariasdecuritiba.com.br
Lançamento do livro:
Dia 15 de julho de 2022
Horário: 19 hs





