O jornalista, sommelier e mestre-cervejeiro Ivan Tozzi apresentou, no final de 2025, uma das palestras mais aguardadas da segunda edição do Congrecerva, ao explorar um tema que une história, espiritualidade, tradição e cultura cervejeira: o turismo cervejeiro em mosteiros e abadias, além da produção de cervejas trapistas ao redor do mundo.
Além da didática e profundo conhecimento técnico, Tozzi conduziu o público ouvinte por uma viagem que teve início na ancestralidade das bebidas produzidas em ambientes monásticos — práticas que remontam à Idade Média — e avançou até o cenário atual, marcado por mosteiros que preservam a produção artesanal como forma de sustento, devoção e identidade cultural. Ele explicou os critérios que definem uma cerveja trapista e as particularidades sensoriais que fazem desse estilo um dos mais admirados no universo cervejeiro.
Ao abordar a realidade brasileira, Tozzi destacou que o país também começa a construir sua própria história nesse segmento ao citar exemplos de rótulos elaborados em mosteiros contemporâneos, como a Hofbauer, produzida na Igreja Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora (MG); a Claustrum, do Mosteiro de São Bento de Mussurepe, em Campos dos Goytacazes (RJ), feria pela cervejaria Ranz, de Nova Friburgo (RJ); e a Frater’s Beer, desenvolvida para o convento franciscano Santa Maria dos Anjos, de Franca (SP), pela Átomos Cervejaria, da mesma cidade.
Além da própria cerveja, a Vales do Monges, produzida em parceria com o Mosteiro Cisterciense de Nossa Senhora do Divino Espírito Santo, em Claraval (MG), por sua própria cervejaria, a Sacramalte, que fica em Franca (SP).
“A produção de cervejas em mosteiros brasileiros, aliada à abertura desses espaços para visitas, mostra que estamos apenas começando a explorar um território riquíssimo. Cada mosteiro que se dedica a essa tradição amplia o mapa cultural do país e fortalece o que chamo de ‘sacro turismo cervejeiro’, um nicho que tem enorme potencial para crescer e transformar experiências”, afirmou Ivan Tozzi.
A partir desse conceito que o próprio palestrante batizou, “o sacro turismo cervejeiro é um novo e extenso campo de oportunidades ligado à cultura cervejeira”, defendeu. Ainda segundo Tozzi, a combinação entre espiritualidade, tradição monástica e produção de cervejas artesanais de alto valor histórico oferece uma experiência única para viajantes e apreciadores. Além de fortalecer microterritórios, esse tipo de turismo promove o intercâmbio cultural e amplia o repertório do público sobre a prática cervejeira em ambientes religiosos.
A palestra reforçou a importância de ampliar o olhar para além das rotas tradicionais e consolidou Ivan Tozzi como uma das principais vozes quando o assunto é cultura e conhecimento técnico no universo da cerveja no Brasil.
“A segunda edição do Congrecerva confirma a força e a maturidade do nosso ecossistema cervejeiro. As palestras têm reunido produtores, especialistas e entusiastas em um ambiente de troca muito qualificado. Ontem, a apresentação do jornalista e mestre cervejeiro Ivan Tozzi foi um exemplo disso: trouxe conhecimento, reforçou tendências e ampliou a visão sobre o potencial do turismo cervejeiro em mosteiros e abadias. Estamos muito satisfeitos com a participação do público e com o nível técnico das discussões, que fortalecem ainda mais o trabalho do CPLCerva e de toda a cadeia produtiva”, afirmou Carlos Alberto Zem, consultor de projetos do Simespi e gestor da Cadeia Produtiva Local da Indústria de Máquinas Equipamentos e Serviços para Cervejarias (CPLCERVA).
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