Levantamento é feito anualmente e relatório divulgado traz dados da safra de 2024. Houve avanço recorde na produtividade, apesar da redução da área cultivada e do número de produtores.
Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo), os dados evidenciam uma mudança de fase do setor. “Houve retração da área cultivada e do número de produtores, enquanto a produtividade média atingiu o maior patamar histórico da série. A produção total apresentou queda moderada, inferior à redução de área, reforçando a leitura de ganhos técnicos e eficiência produtiva”, indica o Mapa do Lúpulo Brasileiro.
As informações referem-se à safra de 2024 e incluem dados de área cultivada, produção, perfil varietal, distribuição territorial e características gerais da produção, informando sobre a evolução do setor e suas particularidades regionais.
Após cerca de cinco anos de forte crescimento, a cultura do lúpulo no Brasil entrou, em 2024, em fase de transição. “Os dados indicam um achatamento da curva de desenvolvimento, explicado principalmente pela mudança no perfil dos produtores que compõem o setor”, sinaliza o relatório.
Isso porque houve a saída de alguns produtores pioneiros e uma maior presença de produtores com área maiores, investimento em eficiência e escala. “Com esse cenário, a expectativa para 2026 é de retomada do crescimento, agora sustentada por bases mais sólidas, organizadas e alinhadas às exigências do mercado.”
Amplitude territorial e produtividade recorde
A produção de lúpulo no país tem ampla distribuição territorial: são 13 estados brasileiros produzindo lúpulo em 90 cidades diferentes. A maior concentração está em São Paulo, com 30 produtores, seguido por Minas Gerais (21), estado que possui a maior área cultivada, de 24,67 ha.
A retração na produção total de lúpulo foi 6,7 t, indo de 88 t para 81,3 t em relação ao ano anterior. No entanto, essa redução ocorreu em proporção menor do que a queda da área cultivada, indicando que o setor manteve sua capacidade produtiva por meio de ganhos de eficiência e melhor manejo.
Esse dado se refletiu no levantamento sobre a produtividade média do lúpulo brasileiro, que manteve trajetória consistente de crescimento, alcançando o maior valor já registrado: 852,3 kg/ha. Segundo a Associação, o indicador reflete avanços técnicos acumulados, maior domínio agronômico da cultura e seleção mais criteriosa das áreas produtivas.
Entre as variedades produzidas, o maior volume foi de Comet, com produção total/ano de 28.100 kg, e Cascade, com 18.294 kg. O levantamento também registra que o clima brasileiro proporciona a possibilidade de até três colheitas em um único ano em boa parte do país.
Além disso, a pesquisa confirma que a comercialização segue como um dos maiores desafios estruturais do setor. “Os dados reforçam a importância da industrialização, da padronização de processos e da integração entre produtores para ampliar o acesso ao mercado cervejeiro”, indica o documento. A relação direta entre produtor de lúpulo e cervejaria segue sendo o principal motor comercial do lúpulo brasileiro.
Trajetória brasileira
O Mapa do Lúpulo Brasileiro é realizado pela Aprolúpulo em parceria com o Casulo — Centro Avançado em Sustentabilidade, Ecossistemas Locais e Governança, do laboratório da Coppe/UFRJ. A Associação realiza entrevistas e coleta informações junto a produtores associados ou não à entidade, para elaborar um quadro do mercado do lúpulo no país.
Esta é a segunda edição do Mapa do Lúpulo Brasileiro neste formato, mas a Associação mantém levantamento anual desde a safra de 2021. “Ao tornar visível o que é produzido, onde e em que escala, o Mapa contribui para estimular o uso do lúpulo nacional, fortalecer cadeias locais e apoiar decisões mais informadas ao longo da cadeia produtiva”, afirma a Associação no documento.
Considerando o contexto do mercado internacional, a trajetória brasileira se conecta a uma tendência global: após a fase inicial de expansão e aprendizado, o desenvolvimento sustentável da cultura passa a depender menos de crescimento acelerado de área e mais de organização produtiva, eficiência técnica, integração industrial e alinhamento com as demandas do mercado cervejeiro, reforça o relatório.
“A Aprolúpulo entende que a consolidação de dados confiáveis é um passo essencial para o desenvolvimento sustentável da cadeia”, reafirma o documento. Os dados completos podem ser acessados aqui.
Foto: Gabriel Fortuna
Gráficos: Mapa do Lúpulo Brasileiro/Aprolúpulo








