Por Fernando von Borstel, fundador e cervejeiro da VON Cervejaria e fundador do gastrobar Casa von Borstel. Formado em Gastronomia, faz da cerveja sua vida profissional desde então, trabalhando para democratizar essa fantástica e única bebida.
Degustar
Experimentar com atenção e deleite o sabor de; saborear, provar.
(DEGUSTAR, in: Oxford Languages, 2020)
Experiência
Forma de conhecimento, obtida por meio dos sentidos, adquirida de maneira espontânea durante a vida, pela prática.
(EXPERIÊNCIA, in: Oxford Languages, 2020)
Bem-estar
Estado de satisfação plena das exigências do corpo e/ou do espírito.
(EXPERIÊNCIA, in: Oxford Languages, 2020)
Brindar
Solicitar a que se beba à saúde, ao bom êxito de, ou por comemoração a algo.
(EXPERIÊNCIA, in: Oxford Languages, 2020)
Essas são palavras facilmente associadas à cerveja, tão fáceis de serem relacionadas que, ao momento em que as leu, possivelmente algum tipo de bebida veio à sua mente. Melhor ainda: algum pensamento de lazer e deleite pintou e ativou sua mente para buscar uma memória nostálgica de um churrasco com os amigos, ou até para um sonho próximo de se reunir com pessoas importantes e celebrar a vida.
Sabemos, de forma inconsciente, que uma cerveja nunca será indesejada ou recusada, pois ela tem a capacidade de quebrar as formalidades e trazer à tona uma experiência prazerosa.
Não à toa, a terceira bebida mais consumida no mundo é a cerveja, apenas atrás do chá e do café, e podemos dizer que ela está no dia a dia da maioria das pessoas, o que justifica a busca por tentar compreender um pouco mais dessa bebida que, há milênios, está presente em grandes eventos de nossa evolução como seres humanos.
A cerveja, por si só, é um ato democrático! Vemos e bebemos em qualquer local, seja na rua, no bar ou em casa, e em qualquer situação, seja em um jantar romântico harmonizado ou em churrasco.
Um dos superpoderes da cerveja é justamente esse: conseguir unir as pessoas, independentemente de sua classe ou gênero, em qualquer lugar!
Por esse motivo, considero a cerveja a bebida alcóolica mais democrática do mundo!
Com isso, ficam pensamentos:
— Por que dificultamos tanto o seu entendimento?
— Por que queremos sempre oferecer uma cerveja diferente?
— Por que não desejamos entender o paladar dos outros, ao invés de impor nossos pensamentos?
Muitas vezes julguei consumidores por beberem alguns tipos de cerveja; cervejas que eu julgava serem simples demais, leves demais, ou até fracas demais.
Por muito tempo, meu sinônimo de cerveja era a que poderia me trazer algum tipo de experiência sensorial intrigante, o oposto de cervejas leves e sutis, eu estava em busca do intenso, do potente, do amargo, do “Imperial” ou do “Smoothie”.
Como eu produzo cerveja desde meus 18 anos, para mim foi muito fácil compreender a evolução da cerveja, tal como pesquisar e compreender a gama gigantesca de estilos disponíveis – Isso sem contar com as invenções.
Meu acesso à informação cervejeira era muito fácil, de tal forma que não compreendia como outras pessoas não conseguiam ter esse tipo de conhecimento. Eu estava me tornando o próprio beer-chato.
Esse é exatamente o caminho contrário da democratização da cerveja!
O fato é que sempre que estamos muito envolvidos naquilo que fazemos, coisas difíceis se tornam simples e coisas simples se tornam banais, a tal ponto de considerarmos erroneamente muitas questões como bobas e sem sentido, nos tornando pessoas antipáticas à realidade do consumidor iniciante.
O ato de democratizar a cerveja vem da nossa consciência e dever como cervejeiro, ou como consumidor mais experiente, de educar o público e os novos apreciadores para que, ao invés de afastá-los, tentando sempre oferecer cervejas muito diferentes, aproximarmos, oferecendo cervejas que estão próximas do seu paladar de hoje e criando um caminho de descobertas incríveis.
Agora, mais do que nunca, é essencial oferecermos para os consumidores oportunidades de provar e apreciar cervejas condizentes com o seu paladar e, pouco a pouco, mostrar a beleza do mundo cervejeiro e suas especialidades.
De nada adianta eu oferecer uma Imperial IPA para um bebedor de cervejas “premium”! Mas e se eu oferecer a ele uma German Pilsner, será que ele não será instigado a querer degustar outras cervejas?
Quando eu falo em democratizar a cerveja, não devemos pensar no valor monetário dela, mas sim em dois pontos extremamente importantes:
— disseminação do conhecimento,
— disseminação da experimentação.
Com isso em mente, te convido para acompanhar comigo essa trajetória de transformação através da cerveja, em que falarei sobre pensamentos e estratégias de como podemos tornar essa bebida maravilhosa ainda mais reconhecida e aceita por suas qualidades únicas e excepcionais.
Quinzenalmente, aos domingos, apresentarei tudo o que sei sobre cerveja e que conhecimentos acredito serem importantes para qualquer pessoa se tornar um democratizador da cerveja!
P.S.: no próximo encontro, o tema será: Além do copo de cerveja! Uma viagem para entender como uma bebida criada por acaso se tornou a terceira bebida mais apreciada no mundo, e como ela também foi capaz de interferir positivamente na evolução da nossa sociedade.
Até logo!
Foto de perfil: Tadao Nishida








