Maior evento de tecnologia cervejeira da América Latina começou ontem, com recorde de expositores, e segue até 11 de junho. Debates focam em eficiência operacional e gestão financeira para enfrentar pressões fiscais e mudanças no perfil de consumo.
A abertura da 18ª Brasil Brau destacou a percepção de maturidade do setor e interiorização do mercado nacional, além de alertar para o impacto da reforma tributária e na consequente exigência de eficiência operacional nas empresas.
No evento de boas-vindas, Tatiana Zaccaro, diretora de negócios da GL Events (foto), também anunciou a ampliação da feira a partir de 2028, quando passará a se chamar Brasil Brau & Beverage, numa expansão para além da cerveja, abrindo todo o mercado de bebidas alcoólicas e não alcoólicas.
“A evolução da Brasil Brau reflete um movimento natural do próprio mercado, marcado pela convergência tecnológica, geracional e comercial entre diferentes segmentos do setor de bebidas”, explica Zaccaro. O evento é o grande encontro deste mercado no Brasil, que se consolidou como o segundo maior lançador de produtos cervejeiros do mundo — segundo o mais recente Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), são 56.170 marcas de cerveja ativas e um recorde de 1.954 cervejarias registradas.
Apesar dos indicadores de crescimento, o tom dos discursos institucionais na abertura foi de forte preocupação fiscal. Líderes do setor apontaram a iminência do Imposto Seletivo (IS) como o maior desafio do século para a cadeia produtiva, cuja carga tributária atual já consome 56% do preço final da cerveja.
O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino, destacou a mobilização das entidades para os próximos seis meses de regulamentação. “Conseguimos colocar no texto da reforma que os pequenos produtores de cerveja, vinho e destilados terão tratamento tributário diferenciado. Agora precisamos trabalhar juntos para garantir isso”, afirma.
Destaques do primeiro dia
O 19º Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC), realizado dentro da Brau, também começou ontem, e contou com painéis que conversaram com este cenário. Como o de Bob Pease, ex-presidente e CEO da Brewers Association (BA), associação de cervejarias estadunidentes, intitulado “Fabricando resiliência: uma atualização da indústria cervejeira artesanal americana”.
Pease falou sobre o cenário de pressão sobre as margens e a necessidade de profissionalização, destacando que o mercado dos EUA, hoje com 9,5 mil marcas artesanais, enfrenta o terceiro ano consecutivo de saldo negativo, registrando 481 fechamentos contra 300 aberturas.
“A cerveja artesanal veio para ficar, mas o crescimento linear de 40 anos acabou. Não adianta produzir cervejas incríveis sem conhecimentos profundos de negócios e sem garantir uma boa experiência ao consumidor. Quem está ganhando o jogo hoje já entendeu que estamos no mercado da hospitalidade e do controle rígido de custos por litro”, afirmou Pease.
Os painéis do primeiro dia também trouxeram um estudo mapeando o comportamento do público consumidor, apresentado por Karoline Dilho Alves, Head de Inteligência Setorial, e Giovana Koscak, Analista de Estratégia e Inteligência Setorial da Globo. A análise mapeou a moderação e a busca por bem-estar nas escolhas das gerações X e Y, além do desejo por marcas de maior valor agregado.
O mercado sem álcool também esteve em destaque, com David Figueira, cofundador e CEO da Sim! Cerveja, falando sobre a responsabilidade sanitária extrema exigida para produção de bebidas sem álcool. “Os cuidados na fábrica devem ser multiplicados por 10. Não existe cerveja sem álcool sem pasteurização. Portanto, comercialmente, o mercado precisa entender que chope sem álcool representa um risco microbiológico alto”, ponderou. Figueira detalhou também alguns dos métodos de produção.
A programação da Brasil Brau e do Congresso Técnico seguem até o dia 11 de junho no São Paulo Expo, na capital paulista. Mais informações estão disponíveis no site oficial.
Foto: DP Conteúdo





