Explorando a revolução da Inteligência Artificial no universo da cerveja

Nos últimos tempos, tem sido impossível escapar das conversas sobre a revolução da Inteligência Artificial (IA) e o seu alcance nas mais diversas esferas de atividade. E, sem surpresa, a indústria da cerveja, conhecida por sua inclinação à inovação, não ficou à margem dessa tendência, embarcando em uma jornada para explorar as vastas possibilidades que a tecnologia tem a oferecer.

No Brasil, receitas elaboradas a partir da IA já aconteceram. A cervejaria carioca Hocus Pocus, por exemplo, lançou este ano a sua “New Zealand Hazy IPA”, batizada de “O Livro Sagrado de Tom”, cujo rótulo foi criado por meio da colaboração com a Inteligência Artificial.

A cervejaria Prussia também abraçou a IA ao lançar uma “Black IPA”. A receita desta cerveja foi desenvolvida com a ajuda do famoso ChatGPT, um assistente virtual inteligente capaz de responder a praticamente qualquer pergunta. O rótulo da cerveja, por sua vez, foi criado com o auxílio do Midjourney, um serviço de IA que transforma descrições fornecidas pelos usuários em imagens cativantes.

Não tão longe daqui, nos Estados Unidos, as cervejarias Banded Oak Brewing e Atwater Brewery também anunciaram publicamente que suas cervejas tiveram suas receitas geradas pelo ChatGPT.

A IA, quando alimentada com detalhes específicos na sua solicitação, oferece respostas cada vez mais precisas. O Midjourney, seguindo a mesma linha, produz imagens impressionantes a partir de descrições fornecidas pelos usuários. Quanto mais detalhes, mais precisa a representação visual.

O papel vital do ser humano na produção cervejeira

Apesar dos avanços significativos da Inteligência Artificial na criação de cervejas, a intervenção humana continua sendo indispensável, pelo menos por enquanto. As receitas criadas pela IA não levam em conta as especificidades de cada cervejaria, uma vez que um sistema de produção de 100 hectolitros de uma cervejaria X pode diferir consideravelmente de um sistema de mesma capacidade em uma cervejaria Y.

Tais ajustes, bem como adaptações no processo de fermentação, como mudanças nas rampas de temperatura e tempos de maturação, são fatores “vivos” que sempre requerem a supervisão humana e análises sensoriais da evolução da cerveja.

Enzo Molinari, Homebrewer, beer sommelier e sócio-cervejeiro da Fanky Folks, ressalta que mesmo em fábricas ultratecnológicas, a mente humana continua a ser a força motriz por trás do produto final. Ela avalia cada etapa do processo e realiza os ajustes finos em cada receita produzida.

“Pode ser que em um futuro – seja ele próximo ou distante – o envolvimento humano nas cervejarias seja reduzido ou até mesmo eliminado. No entanto, pessoalmente, acredito que por trás de cada gole sempre haverá uma história, um conceito e um toque de refinamento na cerveja, graças ao mestre cervejeiro – seja ele humano ou não”, afirma Molinari.

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