Anuário da Cerveja 2026: Brasil registra recorde em número de cervejarias e em exportações

Crescimento em número de cervejarias desacelera, mas total bate recorde, alcançando 1.954 estabelecimentos registrados. Número de cervejas ultrapassa 44 mil e valor de exportações também cresceu. Levantamento anual é realizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e foi divulgado em 19 de maio. Confira os destaques a seguir.

 

Tendo como ano de referência 2025, o Anuário da Cerveja 2026 atualizou dados sobre produção e mercado do setor cervejeiro brasileiro no último período. O número de cervejarias segue numa crescente: foi o maior da série histórica, chegando 1.954 fábricas. Considerando toda a série, o crescimento de cervejarias registradas foi de 4.785%. Mas, de um ano para o outro, o aumento foi de apenas 0,3% — o mais baixo de todo o período de estudo, o que pode indicar uma estabilização do mercado.

 

Novidades na edição

O cálculo do Mapa é feito a partir de estabelecimentos com estrutura de fabricação, portanto as cervejarias ciganas não entram na contagem. Este ano, porém, o Mapa incluiu um levantamento da quantidade de ciganos citados na declaração de produção, chegando a 280 espalhados por 17 estados brasileiros. O número, no entanto, pode estar subnotificado, já que entraram na contagem apenas as citadas na declaração — mas vale registrar o interesse por este levantamento.

 

Cerveja sem glúten

Um grande destaque desta edição foi o crescimento das cervejas sem glúten, que tiveram um aumento de 417,6% em volume produzido, um reflexo da mudança de perfil de consumo brasileiro. Em 2024, eram 71 milhões de litros, que saltaram para 368 milhões de litros em 2025. A diversificação acompanha o movimento percebido no Anuário 2025, no qual foram as cervejas sem álcool que indicaram um crescimento de mais de 500%.

 

Quer saber mais sobre cerveja sem glúten? Confira reportagem especial na RC Técnica #8.

 

Estados em destaque

São Paulo segue o estado com mais cervejarias: são 452 fábricas, com um acréscimo de 5,9% em relação a 2024 e o maior crescimento absoluto. SP também conta com o maior número de cidades tendo ao menos uma cervejaria: 173. Já a Paraíba teve o maior crescimento relativo, de 57,1%, passando de sete para 11 cervejarias.

No período, apenas nove estados contabilizaram novas cervejarias registradas: Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo. Seis mantiveram a mesma quantidade e 12 reduziram o número, tendo o Rio Grande do Sul a maior redução: 24 cervejarias a menos que em 2024.

Fonte: Anuário da Cerveja 2026 — Ano de Referência 2025/Mapa

 

Regiões e cidades

A Região Sudeste segue concentrando a maior quantidade de fábricas, 47,2% do país, um total de 923, e foi a única a ter uma variação positiva no número de cervejarias. Juntos, Sudeste e Sul concentram 86% das cervejarias nacionais.

São 794 cidades brasileiras com cervejarias, o que representa 14,3% dos municípios do país. A capital paulista tem o maior número delas (61), seguida por Porto Alegre/RS (35) e Curitiba/PR (25). Mas as cidades do pódio também tiveram redução no número de estabelecimentos, considerando a série histórica.

Houve aumento no número de cidades com 10 ou mais cervejarias, totalizando 25 municípios em 2025, duas a mais que no ano anterior. Acre, Amapá, Roraima e Tocantins são os únicos estados que possuem apenas um município com cervejaria.

 

Cerveja por habitante

No fator densidade cervejeira, o país apresenta estabilidade, com uma cervejaria para cada 108.794 habitantes. Santa Catarina ultrapassou o Rio Grande do Sul como maior estado em densidade, com uma fábrica para cada 32.625 pessoas. Já o Amazonas tem a menor densidade, com uma cervejaria para cada 1.070.302 habitantes.

Linha Nova/RS continua com o posto de município com maior densidade cervejeira do país: uma fábrica para cada 860 habitantes, com duas cervejarias na cidade.

 

Número de cervejas

Foram 15,6 bilhões de litros de cerveja produzidas em 2025, com a Região Sudeste concentrando 52% da produção nacional. No último ano, o Brasil chegou ao total de 44.212 cervejas registradas, um aumento de 1.036 produtos, 2,4% a mais que o período anterior. A média brasileira é de 22,6 registros de produtos por cervejaria.

São Paulo também é o estado com maior número de cervejas registradas, com 13.240 produtos, e sua capital tem a maior quantidade entre os municípios, com 2.228 cervejas, 16,8% de todo o estado. O Amapá está na outra ponta, com apenas quatro produtos registrados. Já o Distrito Federal teve a maior média de cervejas registrada por fábrica: 31,6 cervejas.

Fonte: Anuário da Cerveja 2026 — Ano de Referência 2025/Mapa

 

Empregos no setor

O Anuário novamente fez um levantamento na questão de empregos: o setor de bebidas superou 143 mil postos diretos em 2025, e desse total foram 41.976 empregos relacionados diretamente à fabricação de malte e cerveja, o que representa uma estabilidade em empregos diretos.

 

Mais importações do EUA

As importações cresceram 251,4% em volume, passando de 7,5 milhões de litros em 2024 para 26,3 milhões de litros em 2025. Mas o aumento foi de apenas 1,7% no preço médio da cerveja importada, num total de US$ 9,4 milhões. Os Estados Unidos passaram a ocupar o primeiro lugar em cervejas importadas para o Brasil, com 74,2% vindas de lá.

 

Aumento no valor de exportações

Foram 315,5 milhões de litros exportados, o que representa uma retração de 5,1% em relação ao ano anterior. Apesar disso, houve recorde no valor das exportações, que alcançaram US$ 218,3 milhões, um acréscimo de 6,9% — e o maior valor da série histórica, o que reflete a valorização do produto no mercado internacional.

A cerveja brasileira chegou a 77 países, em especial ao mercado sul-americano, que responde por 98,5% do volume exportado. O Paraguai é o principal destino, concentrando 62,3% das cervejas exportadas. A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 195 milhões, outro recorde no período estudado, com crescimento de 7,1%.

 

Consolidação brasileira

Para Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, o desempenho do setor demonstra a consolidação da cerveja brasileira no mercado externo. “Embora o crescimento interno tenha sido mais contido, o avanço no valor das exportações e o superávit histórico da balança comercial destacam o protagonismo crescente da cerveja brasileira no mercado internacional”, avalia

O Anuário da Cerveja 2026 completo pode ser acessado no site do Mapa.

 

Fonte: Anuário da Cerveja 2026 — Ano de Referência 2025/Mapa

 

 

Foto de destaque: Andrew Patrick Photo/Pexels

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