Fermentando a web: Amanda Henriques, da Maria Cevada

Não é de hoje que o público bebedor de cervejas artesanais sabe que o Rio de Janeiro não é apenas terra de caipirinha. Quem transita pelo universo das craft beers há um tempo já ouviu falar nos rótulos da 2Cabeças, Three Monkeys, Therezópolis, ou no Mondial de La Bière, festival internacional sediado anualmente na cidade maravilhosa, França e Canadá. Tem também o famoso Botto Bar (do cervejeiro arroz de festa, ou melhor, brassagem, Leonardo Botto); e o blog para quem quer acompanhar todo esse movimento de perto — Maria Cevada.

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Para quem desconhece, quem está por trás do projeto é a jornalista e beer sommelier Amanda Henriques, de 27 anos, e o publicitário Anderson Senne, 31 anos. Ambos editam e abastecem o site com um conteúdo cervejeiro voltado, principalmente, ao Rio de Janeiro — turismo, lançamentos, harmonizações e gadgets, além de um canal no Youtube, com degustações e visitas a bares e eventos, estão documentados lá. “Informações fáceis, didáticas, leves… Tudo que possa ser de fácil entendimento para quem ainda está começando”, resume Amanda.

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“É como se tivessem me enganado por muito tempo dizendo que cerveja era algo que não chegava nem perto do que poderia ser”

O Maria Cevada nasceu em 2013, mas podemos dizer que o projeto já tomava forma bem antes disso, quando Amanda começou a experimentar rótulos artesanais (até então, socialização era o único motivo para ela beber). Assim, como quase todo apreciador de cerveja, ela circulava pelo mundo das Weiss — segundo a própria, já se considerando uma “profunda conhecedora”.

Um dia, convidada por amigos, foi a um lançamento de uma cerveja em um bar de Botafogo. Até aí, tudo certo, só que a novidade tratava-se da Hi5, a Black IPA da 2Cabeças. A descoberta desceu amarga, “não pode ser cerveja, não é possível”. Depois do choque, Salo Maldonado (então da 2Cabeças), chegou e disse que, um dia, ela entenderia. O “desafio” foi aceito, e a partir desse episódio, ela começou a experimentar vários estilos, aprendeu a amar cervejas selvagens e viajou por vários lugares, tendo a bebida como referência nos roteiros.

No meio disso tudo, Amanda conheceu Anderson, que topou a aventura e hoje é seu parceiro na vida pessoal e profissional com o site. Como a jornalista sempre esteve ligada à produção de conteúdo e produtos digitais, a criação do Maria Cevada foi algo espontâneo — segundo diz, surgiu de uma necessidade clara de um veículo voltado a esse assunto no Rio. “Era difícil saber o que acontecia no meio da cerveja artesanal se você não fizesse parte da Acerva ou se seus amigos não se interessassem pelo assunto”, conta. Levou três dias para ela construir o site, da logo à estrutura, das redes sociais aos primeiros conteúdos. E, aqui está, faz parte do grupo dos Blogueiros Brasileiros de Cerveja.

01072015-1385508_10152905510145769_3720804904487291600_nAnderson Senne, editor do Maria Cevada ao lado de Amanda

Um blog que não é voltado a mulheres

E nem para homens. Aliás, segmentação de gênero nunca foi a praia da Amanda. “A maioria das coisas que partem desse princípio já nasce carregada de preconceito”, afirma. Para ela, ainda que o mercado de cervejas de produção em larga escala (aquelas intituladas “tipo Pilsen”) continuem a explorar a imagem feminina para vender mais, o meio artesanal transmite uma sensação muito diferente dessa realidade. “Achar que as mulheres no mercado cervejeiro são uma ‘exceção’ é um erro provocado por falta de informação e uma certa dose do preconceito herdado do estereótipo cultural que as macros construíram em suas comunicações”, diz.

Relação com o universo digital

A tal versatilidade que compartilham quase todos os blogueiros também é característica da Amanda, que além da cerveja, é claro, é apaixonada pelo meio digital. Ela já teve um site de arquitetura e decoração, um blog sobre quadrinhos e outro de cinemagrafia e hoje tem pelo menos outros oito domínios comprados que ainda nem viraram site. “Ok, eu sou um pouco maluca”, brinca.

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Cena cervejeira no Brasil

Amanda é otimista com relação ao mercado artesanal do país, mas aponta que os cervejeiros ainda precisam investir na profissionalização do negócio, e os bares e eventos, na comunicação com seu público. “Às vezes, por falta de informação, as pessoas podem se decepcionar nas primeiras tentativas e… Perdemos um soldado! Brigadas treinadas, material explicativo, uma comunicação mais didática: parece um detalhe bobo, mas é fundamental essa atenção no contato com o público final”, explica. E finaliza: “nesse ponto, espero estar dando a minha contribuição para ajudar a disseminar a cultura da cerveja artesanal”. Está, sim, Amanda 😉

Quer conhecer o Maria Cevada? Clique aqui. O projeto ainda está em outras cinco plataformas: Facebook, Instagram, Twitter, Youtube e Viber.

Confira as entrevistas que fizemos com outros blogueiros: Gil Lebre, do A Perua da Cerveja; Raphael Rodrigues, do All Beers; Jaime Ojeda, do Con Espuma; e Edson Paulo de Carvalho Junior, do Viajante Cervejeiro.

 

 

 

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