Um passeio pelo Velho Mundo — Dubhlinn

Linus

Por Linus De Paoli, cervejeiro caseiro, Certified Cicerone®, engenheiro de desenvolvimento de veículos e guia etílico-turístico.

O que esperar de uma cidade que começou como um povoado viking? Cerveja. Muita cerveja. E pode ficar tranquilo, as suas expectativas serão correspondidas.

Na primeira visita que fizemos à cidade, já deu para perceber o que nos esperava na entrevista da imigração no aeroporto. “Vieram para cá a negócios ou passeio?” “Passeio.” “E o que pretendem visitar na cidade?” “Guinness.” “Claro. Sejam bem-vindos.” Afinal, a cervejaria é patrimônio da cidade, a sua maior atração turística e todo mundo sabe e tem muito orgulho disso.

Outra grande vantagem de Dublin é que o segundo idioma mais falado, apesar das placas e sinalizações indicarem o contrário, não é o gaélico e sim o português brasileiro. Isso porque, devido à facilidade de poder trabalhar em tempo parcial com um visto de estudante, a população brasileira na cidade é enorme. Portanto se você não domina o inglês e nem o gaélico, não precisa se preocupar — sempre vai ter um brasileiro por perto para te socorrer.

Apesar de que a minha expectativa para Dublin fosse ver Leprechauns correndo atrás dos seus potes de ouro e ter um bebedouro de Guinness em cada esquina da cidade eu não me decepcionei com o que encontramos lá. O ponto mais importante da cidade é, de fato, a fábrica da Guinness e, portanto, visita obrigatória para qualquer turista na cidade, aficionado ou não por cervejas.

A experiência da visita, na verdade, começa já a cerca de 500 m da fábrica, quando já dá para sentir o aroma de cevada torrada no ar. Recomendo ir caminhando do College Green até a fábrica da Guinness, seja pela margem do Rio Liffey ou pela Dame St./Thomas St. para poder apreciar a paisagem da cidade e já ir aumentando aquela expectativa boa que precede uma visita dessas.

E, se fizer esse caminho a pé, indico uma parada estratégica no The Beer Market (13 High St, The Liberties, Dublin 8, Irlanda) para tomar umas cervejas artesanais irlandesas e comer algo, dependendo do horário. Considere comprar o ingresso com antecedência via website (guinness-storehouse.com) para evitar as filas e se programar para ir a Guinness por volta das 13h (ou até mais cedo, dependendo da sua propensão a beber cerveja antes do meio-dia), pois a visita pode durar cerca de 2h, dependendo de quantas atividades resolver fazer dentro da cervejaria.

Chegando à porta de entrada do Guinness Storehouse na St. James Gate Brewery, lembre-se de bater a foto obrigatória em frente ao portão com o logo da cervejaria ao fundo. A visita cobre desde o processo produtivo para fazer a cerveja mais famosa da Irlanda, a história da cervejaria e do seu fundador, assim como degustações guiadas não só da Draft Stout como de outras cervejas da marca, apresentações animadas de Riverdance e um curso de como tirar o pint perfeito de Guinness, com diploma no final. Fique tranquilo, você poderá beber a cerveja depois de aprender como servi-la.

No topo do prédio fica o The Gravity Bar, um dos pontos com a melhor vista da cidade. Vale a pena passar um tempo lá admirando a paisagem com um pint de cerveja na mão. Depois da Guinness, dependendo do horário, a boa é seguir a pé direto para a destilaria Jameson na Bow St e fazer o tour por lá. A visita cobre a história da destilaria e o processo produtivo do uísque irlandês, e finaliza com uma degustação que compara o uísque irlandês com um uísque escocês e um bourbon americano.

Mas se você não gosta de uísque, tudo bem. Independentemente disso, uma outra “visita” que não pode faltar é aos pubs da cidade. E eles são muitos. Desde os mais turísticos (direcionados aos turistas) no bairro do Temple Bar, inclusive aquele que leva o nome do bairro, até os mais frequentados pela população local.

Aproveite o ambiente democrático dos pubs irlandeses, onde, em vez de as pessoas ficarem isoladas em microgrupos sentados nas suas mesas privadas, ficam todos de pé, bebendo e socializando, geralmente com uma animada música ao vivo. E, como o ambiente pede, nada de ficar pedindo tábua de degustação e cheirando a cerveja (mesmo porque vai ser difícil fazer isso dentro do pub lotado). Aqui a cerveja é coadjuvante da animação e da interação.

Daqueles pubs que ficam no Temple Bar, recomendo o de mesmo nome, mesmo que geralmente lotado de turistas, o Quays ou o Oliver St. John Gogartys. Daqueles um pouco fora dessa área, indicaria The Dame Tavern. Stags Head e o Mercantile. Agora, se quiser sentar, comer bem, tomando boas cervejas em um ambiente mais tranquilo ou até um pouco romântico, a pedida é ir ao The Bank on College Green, que fica no prédio de um antigo banco da Era Vitoriana. Vale a pena a visita só pelo ambiente. Mas fique tranquilo que a comida não vai decepcionar.

Outro ponto alto da capital irlandesa é a população local superamigável, acolhedora e bem-humorada (e geralmente de cabelos vermelhos). Talvez a riqueza dos irlandeses não sejam os seus potes de ouro escondidos no final do arco-íris, mas a sua cultura rica, alegre e receptiva, regada à sua cerveja característica.

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