Nota de falecimento

A Revista da Cerveja comunica, com pesar, o falecimento de Mateus José da Silva, ocorrido em 28 de abril de 2020. Cervejeiro, engenheiro de alimentos e enólogo, Mateus era proprietário da Cervejaria Farol (RS) e participou ativamente do fortalecimento do movimento cervejeiro nacional por mais de duas décadas, prestando consultoria cervejeira para diversas empresas e profissionais do setor.

Manifestamos nossa mais sincera solidariedade aos familiares e amigos por esta inestimável perda. Todo o setor cervejeiro artesanal perde com o falecimento deste entusiasta e referência no mundo das cervejas artesanais e que deixou diversos ensinamentos.

Nossa homenagem

No intuito de homenagear e valorizar a história de Mateus e toda a sua contribuição desde 1999, quando começou a se envolver profissionalmente com cerveja, publicamos a seguir uma entrevista concedida por Mateus para a Revista da Cerveja em setembro de 2017, em nossa seção Mestre-cervejeiro, encontrada na edição #30.

Mateus José da Silva — Seção: Mestre-cervejeiro

“Cerveja artesanal é a qualidade no copo.”

Natural de Canela/RS, 34 anos, enólogo e consultor cervejeiro de diversas cervejarias no país, Mateus tem participação e na cervejaria Farol, também de Canela. Cervejeiro formado pelo Senai Vassouras/RJ em 2000, também é engenheiro de alimentos, tendo começado sua relação profissional com a cerveja em 1999.

“No final daquele ano, se instalou em Canela uma cervejaria chamada Estação Z, para a qual eu fui contratado para a produção da cerveja, e daí para frente tive total envolvimento com outras cervejarias, a fim de assegurar a qualidade e produtividade desta cervejaria.” Já foram mais de 30 cervejarias com as quais já fez parcerias profissionais. Com muitas possui envolvimento até hoje, como Cervejaria Nacional (SP), Coruja (RS), Drache Bier (CE), Edelbrau (RS), Farrapos (RS), Giffa Imperial (SP), Imigração (RS), Hunsrück (RS) e Saint Bier (SC).

O trabalho atual: “O mercado está crescendo muito e com isso o aumento do número de cervejarias. Meu trabalho é focado em treinamento de pessoal para atuar em cervejarias, utilizando ferramentas da qualidade, aliando tecnologia para as cervejarias. O desenvolvimento de cervejas também é um dos trabalhos muito realizados em minhas consultorias, pois há uma grande variação de estilos, o que vem a somar muito neste trabalho”, resume.

Criar uma formulação de cerveja é entender o que o empresário quer, é preciso fazer cervejas que gostamos de beber, e tornar o processo de simples operação, para que possa sempre ser repetido: assim define ele o seu processo de criação de receitas. Buscando tendências e novidades, ele se mantém em constante atualização através de viagens, cursos, participação de feiras e em contato com outros profissionais.

Envolvido de corpo e alma

Para ele, cerveja artesanal é a arte de fazer cerveja de qualidade. As diferenças em relação às comuns:“Além do volume de produção, é a forma como as artesanais são feitas e cuidadas, tem que ter paixão envolvida. Acredito que estamos muito bem neste ponto de qualidade no Brasil, a cada dia temos uma cerveja que nos surpreende positivamente”. Em relação aos equipamentos, diz que já teve oportunidade de trabalhar com os mais diferentes, nacionais e importados. Sua avaliação é que temos aqui muitos equipamentos de ponta, porém também os que deixam a desejar, “mas isso ocorre em qualquer setor”. Define ser mestre-cervejeiro como estar envolvido de corpo e alma na fabricação das melhores cervejas.

Sobre as referências que tem no meio cervejeiro, é um pouco mais vago: “Este setor é algo único, todos se conhecem e em sua maioria são amigos. Eu acredito em todos os cervejeiros e empresários do ramo, todos têm algo para nos ensinar”. Seu objetivo é seguir apoiando o crescimento do mercado cervejeiro, tendo a gastronomia como parceira, possibilitando uma experiência completa, como diz, e isso aponta como tendência: “Na Cervejaria do Farol, trabalhamos muito com a questão gastronômica e vejo isso como sendo o grande diferencial para este setor. Nossa produção é limitada e consumida quase em sua totalidade no bar e no restaurante anexos”.

Otimismo com a cena cervejeira

Está animado com a cena cervejeira na sua cidade e região: “Está muito à frente em questões de cerveja – temos sete cervejarias aqui e, por ser uma região turística, a oferta de cervejas é muito grande”. Lembra que a Rota da Cerveja da Serra Gaúcha surgiu da união dos cervejeiros da região, a fim de organizar este roteiro e poder atender melhor o turista. “Foi algo que no início pareceu pequeno, mas hoje tem um grande fluxo de turistas e agências de turismo que fazem a rota semanalmente”, informa.

Já em relação à tecnologia e processos, também vê sinais positivos: “A cada dia estamos mais profissionais neste segmento; o que ainda falta é uma identidade própria para as cervejas brasileiras, mas isso vem com o tempo”. Como muitos, aponta os grandes problemas tributários e fiscais como os maiores entraves para trabalhar na área cervejeira: “Isso, muitas vezes, acaba tornando o preço das cervejas algo proibitivo para o consumidor”. Satisfeito com as conquistas do setor no país, destaca o fato de termos eventos que fazem com que as cervejas sejam conhecidas, uma revista que só fala de cerveja e escolas de formação cervejeira.

“Porém, precisamos ter mais cervejarias para que a oferta seja maior ainda. Só assim conseguiremos atingir um mercado gigantesco como o brasileiro.” Futuro? Crê que em 10 anos certamente teremos muito mais cervejarias do que temos hoje. “E com isso vai vir a diversificação e também nossa identidade brasileira”, conclui.

Foto: Arquivo Pessoal

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