Um passeio pelo Velho Mundo — Berlim parte I

Linus

Por Linus De Paoli, cervejeiro caseiro, Certified Cicerone®, engenheiro de desenvolvimento de veículos e guia etílico-turístico.

Muito já foi dito e escrito sobre Berlim como destino cervejeiro nas interwebs, mesmo por mim, mas a cidade tem tanto a oferecer que merece mais um texto a respeito.

Acho que nem todo mundo sabe, mas eu já morei por seis meses em Berlim. Foi em 1996, quando eu tinha apenas 18 anos, e foi mais ou menos na época que comecei a descobrir os estilos de cerveja além da American Lager (Pilsenzinha) do dia a dia.

Naquela época a cidade não oferecia muito em termos de cerveja, afinal a principal preocupação eram as obras de reconstrução e revitalização das regiões destruídas pelo muro e o longo e doloroso processo de unificação e cura da separação imposta pela guerra fria.

Mas mesmo assim fui sendo exposto a cervejas diferentes na forma das Hefe Weizen, preferidas pelo meu pai na época, e as Berliner (Kindl) Weisse, na época sempre com o xarope verde ou vermelho. Além da eventual viagem a Bélgica, que me mostrou que cerveja pode ser qualquer coisa que você quiser, mas daí eu já vou acabar saindo do tópico.

Meu primeiro retorno a cidade foi em 2007 quando fizemos nosso mochilão de lua de mel pelo continente europeu. E, infelizmente, na época a cena cervejeira na cidade pouco tinha mudado. Mas depois com a mudança de residência para a Alemanha as visitas a Berlim se tornaram mais frequentes.

Primeiro em 2016 e depois por três vezes em 2018. E daí sim eu pude ver o quanto a cena cervejeira tinha mudado. Em 2016, demos sorte de ir visitar a cidade durante a Berlim Beer Week e usei a lista de locais e eventos na cidade para me guiar. Foi quando conhecemos o Hopfenreich, Heidenpeters (que fica no Markthalle 9), Kaschk, The Pier e a Brauhaus Lemke.

O Hopfenreich é um taproom que abriu as portas em 2014 após um festival bem sucedido e organizado pelos proprietários do local. Aliás esse é também conhecido como o primeiro Craftbeer bar da cidade. O local conta com 22 torneiras de cervejas artesanais de microcervejarias da região e também importadas.

Já a Heidenpeters é uma cervejaria instalada dentro do Markhalle 9, mais precisamente no subsolo deste. O que torna a visita bastante interessante, pois pode-se experimentar as cervejas ali feitas comendo a comida servida pelos vários estabelecimentos presentes ali no mercado. Eles também são responsável por organizar um dos festivais mais legais de cerveja na cidade, o Wurst und Bier, no mês de fevereiro.

O Kaschk é um lugar com proposta diferente da maioria dos bares. Uma mistura de café com bar de cervejas artesanais faz com que o lugar seja interessante tanto para aquelas pessoas que procuram um ambiente calmo para ler, estudar e trabalhar como um ambiente para socializar em pequenos grupos.

A Brauhaus Lemke é uma das pequenas cervejarias artesanais mais antigas de Berlim. Inicialmente, a produção acontecia na Lemke am Alex (próximo a famosa torre de TV), mas hoje esta está dividida no espaço que fica embaixo da linha do S-Bahn ali próxima e uma planta fora da cidade. Ao lado da produção fica a Brauhaus Lemke am Hackeschen Markt, onde dá para tomar todas as ótimas cervejas da marca acompanhadas de excelentes comidas preparadas no local.

Já o The Pier foi uma das experiências mais estranhas que tivemos na cidade. Conhecemos o bar durante a semana da cerveja de Berlim quando eles estavam recebendo um Tap Take Over da cervejaria americana Founders. Mas o estranho no evento é que eles resolveram combinar o TTO com um show de Strip Tease no meio do bar. Pode-se dizer que a escolha do show foi no mínimo infeliz. Não me surpreende que o bar tenha fechado em 2018. Na primeira visita a cidade, em 2018, os dois lugares visitados foram o bar da BrewDog no Mitte e o bar da Mikkeller.

Nesse primeiro, além das cervejas da marca, eles servem cervejas de cervejarias locais incentivando o crescimento do mercado como um todo, o que é uma proposta bem bacana. Além de ótimas pizzas. No segundo, que fica a alguns metros a pé do primeiro, o foco são as cervejas da cervejaria cigana dinamarquesa mais famosa do mundo. Preços altos acabam sendo inevitáveis.

Mês que vem conto um pouco mais sobre minhas visitas a cidade e mais dicas de onde beber boas cervejas por lá.

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