Festival Braukunst mostra a força do mercado craft em Munique

Festival Braukunst mostra a força do mercado craft em Munique

Por Victor Kling, jornalista, beer sommelier, revisor de conteúdo em português do Programa de Certificação Cicerone e administrador da página Lado Bier

Braukunst significa “a arte de fazer cerveja”. O evento, que teve início há oito anos, sempre objetivou tentar oferecer a maior quantidade possível de diferentes estilos de cerveja, para mostrar, tanto para os aficionados pela bebida como para o público leigo, a infinidade de possibilidades de interpretação que existem quando o assunto é produzir cerveja.

Não deixando nada a desejar nesse quesito, o festival de fato mostrou uma invejável diversidade de tipos de cerveja. Além dos estilos clássicos, como Pilsen, Helles e Weissbier, o visitante era convidado a fazer uma extensa viagem pelos seus sentidos, provando desde cervejas feitas com mosto de uva, trufadas, defumadas, temperadas com condimentos e sal do mar, frutas, tendo ainda a chance de terminar com uma potente Bock envelhecida em barricas de Jägermeister, uma famosa bebida alemã.

O foco desta edição de 2019, que ocorreu nos dias 15 e 16 de fevereiro, foram as cervejas com alto drinkability, de baixo teor alcoólico e também sem álcool, segmento em alta na Alemanha. A lista foi extensa neste sentido, com muitas Sours, Gose e Berliner Weisse, por exemplo. Apesar disso, as cervejas fortes, como Barley Wine, Doppelbock e muitas tantas Barrel Aged, também bateram ponto.

A lista de expositores foi bastante variada e conseguiu, com sucesso, mesclar novas e emergentes marcas, com verdadeiros medalhões da região, como a Paulaner, Höfbrau e Weihenstephaner. Mesmo estas cervejarias, tão tradicionais, fizeram um esforço para trazer novas receitas exclusivamente para a Braukunst, como a lupulada Red Ale Wilma, da Paulaner. Além das alemãs, marcaram presença cervejarias de outros países, como a polonesa Gzub, a canadense Steamworks, a croata Varionica e a holandesa The Sisters Brewery.

Cervejarias em destaque

  1. Freigeist — Conhecida por muitos brasileiros, a cervejaria é tocada por Sebastian Sauer, que exporta com frequência para nosso país algumas das suas mais excêntricas recriações de estilos tradicionais e históricos alemães. Para a Braukunst, apresentou uma Trüffel Ale, com incríveis notas trufadas no aroma e na boca. Além disso, foi possível conferir uma Gose com figo e uma Weizenbock com adição de banana, uma verdadeira explosão de banana!
  1. Flügge — A cervejaria de Frankfurt, que vem ganhando destaque na Alemanha recentemente, trouxe a Anni Pale Ale, além de uma Brett IPA e um híbrido de cerveja e vinho.
  1. Testbräu — Talvez a mais nano dentre as destacadas do evento, a Testbräu, que tem como premissa testar novas receitas, não importando quão baratas ou caras possam sair, trouxe uma Witbier com framboesa e lúpulo Sorachi Ace, além de uma Weizenbock defumada, com 6,9% de álcool.
  1. Hopfenhäcker — A marca, que já possui um tap house próprio na cidade de Munique, trouxe todas as suas cervejas de linha em chope, além de uma Imperial Red Ale com uísque, especialmente para o evento.
  1. Hertl — A menor cervejaria da região da Francônia trouxe o créme de la créme do seu portfolio, que conta com uma Bock envelhecida em barris de Jägermeister, uma Doppelbock envelhecida em barris de uísque e um gim lupulado.

Masterclasses e muito mais

Além de desbravar as inúmeras cervejas, o público foi convidado a participar das palestras, chamadas de Masterclasses, todas em alemão e por apenas € 5 cada. Cervejeiros da Flügge, Craft Werk, Munich Brew Mafia, Freigeist e Orca Brau ministraram os workshops, que também contaram com oficinas de lúpulo da Barth-Haas.

A Braukunst deu espaço para estandes variados, além das cervejarias. As famosas escolas cervejeiras da região, como a TUM, que oferece graduação e mestrado em Braumeister (mestre-cervejeiro), e a Doemens Akademie, que ministra regularmente vários cursos, dentre eles o de beer sommelier, estiveram no evento. A Weyermann, mais famosa maltaria do mundo, de Bamberg, montou uma enorme mesa com os seus vários tipos de malte para degustação. A revista alemã Craft também marcou presença.

A Baviera além da Oktoberfest

A escola cervejeira alemã, historicamente marcada pela tradição e lealdade à Reinheitsgebot (Lei de Pureza), começa a mostrar o seu potencial criativo, e novas marcas do segmento craft vêm surgindo cada vez mais em todo o país. Um exemplo de sucesso é a já bastante aclamada cervejaria FrauGruber, de Augsburg. Os dois amigos que comandam a pequena produção possuem cinco rótulos (IPAs e Imperial IPAs) na lista das 10 cervejas com melhor avaliação do país, segundo o aplicativo Untappd.

A vocação cervejeira, especialmente do Sul da Alemanha, está renascendo e se ressignificando, para ir além da grande marca registrada da região, que é a Oktoberfest em Munique. A cidade, capital do Estado da Baviera, já é a casa de inúmeros eventos cervejeiros artesanais. Além da Braukunst, ocorrem na cidade o Craft Bier Fest, a Craft Bier Oktoberfest, o Friends of Mine Festival (organizado pela cervejaria Tilmans), a famosa feira de negócios Drinktec e muitos outros de pequeno porte. A crescente oferta é consequência do rápido avanço e desenvolvimento do mercado craft na região.

Fotos: Victor Kling

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