Caropreso com cerveja – Cerveja brasileira, despontando no exterior

Por Luiz Caropreso, sommelier de cervejas, professor pela Doemens Akademie e diretor da BeerBiz  — Cultura Cervejeira.

Salve, salve amigo cervejeiro.

Cada vez mais, nosso segmento cervejeiro conquista notoriedade e respeito, tanto nestas plagas tropicais quanto no exterior. É inquestionável a evolução, tanto de nossas cervejas quanto dos insumos aqui produzidos e isso se reflete no grande numero de medalhas que vimos conquistando nos principais concursos cervejeiros internacionais. Não me surpreenderia se daqui pra frente começarem surgir novos estilos de cervejas brasileiras, além da polêmica Catharina Sour.

E vamos às minhas escolhidas para este mês:

Foto: Divulgação

Cerveja: Avós Baltic Negroni
Cervejaria: Avós – Rua Croata, 679 – Vila Ipojuca – São Paulo/SP
Estilo: Baltic Porter
ABV: 8,5%

Negroni é um drink que leva, basicamente, Gin, Vermute e um bitter como o Campari, guarnecido com uma rodela de laranja. Aproveitando a comemoração dos 100 anos da criação desse coquetel que conquistou inúmeros bebedores apaixonados pelo mundo, inclusive por aqui no Brasil, a Cervejaria Avós desenvolveu a Baltic Negroni, uma Baltic Porter maturada em barris de Carvalho Americano que foram usados na produção do drink, o que acaba trazendo os sabores do Negroni para o fermentado.

A cerveja, que é bastante encorpada, se apresenta com coloração marrom escuro e forma uma espuma densa, parecida com a de uma mousse de café expresso. Perfumes de chocolate, alcaçuz e caramelo compõem a paleta de aromas. Na boca, vamos sentir um equilíbrio entre o doce e o amargo, característicos também do coquetel que a inspirou. Os criadores sugerem que seja servida num copo tipo Old Fashioned, popularmente conhecido como copo para whisky, guarnecido com um twist de laranja. Vamos harmonizar com mix de nozes e castanhas torradas, lascas de parmesão Grana Padano ou queijo Brie bem curado, acompanhado de geleia de laranja ou uma fatia do italianíssimo doce panforte.


Foto: Daiane Colla

Cerveja: Flip-Flops To Heaven
Cervejaria: Narcose – Capão da Canoa/RS
Estilo: Gose (com caju)
ABV: 4,7%

Domingo passado fui almoçar com a família numa casa nova, especializada em assados na brasa com “sotaque” italiano aqui em São Paulo. Na hora das bebidas, o garçom me disse “só trabalhamos com uma cervejaria”. Para minha grata surpresa, era a Cervejaria Narcose. Há algum tempo eu queria experimentar a Flip-Flop to Heaven e foi o que pedi.

A embalagem é uma lata com design muito atraente onde predomina um azul celeste. Já a cor da cerveja é um amarelo bem claro, indo pro palha, com baixa formação de espuma. O aroma de caju é bem destacado. Na boca, a melhor surpresa: os sabores da fruta se compatibilizam com os do estilo Gose, de maneira fantástica. Aquele gostinho salobre, seguido de boa acidez, quase nenhum amargo ou doce foi a companhia perfeita para um delicioso assado de tira acompanhado de batatas rústicas (gomos assados com casca, regados de azeite e salpicados com alecrim e sal marinho). A cerveja se mostrou valente enfrentando com garbo e elegância outros assados como costeletas de cordeiro e prime rib de angus. Ah, o nome da casa, se quiserem visitar, é Borgo Brace e fica na Praça Visconde de Souza Fontes, 59 no bairro
da Mooca.


Cerveja: Satelite Heavy Impact
Cervejaria: Satelite – Jaboticabal/SP
Estilo: Russian Imperial Stout (com baunilha)
ABV: 12%

A Cervejaria Satélite lançou uma linha de cervejas escuras cheias de complexidade de sabores, batizada Supremassive Serie. Neste ultimo mês de agosto colocou no mercado a Heavy Impact, uma Russian Imperial Stout com baunilha. Muita baunilha. Uma cerveja de um marrom escuro, com excelente formação de espuma densa, como chantilly, porém de cor bege. Podemos sentir aromas de baunilha, biscoito doce, frutas negras passas, tosta lembrando café, algum alcaçuz e licor de cacau, dentre outros. Na boca, traz textura licorosa, e corpo alto, enfatizada pelos 12% de teor alcoólico.

Esta é uma cerveja muito apropriada para se degustar num dia frio de inverno, como o que está fazendo hoje em São Paulo. Acompanhe com biscoitos amanteigados doces, bombons e uma generosa fatia de torta de ganache de chocolate, bem densa. Vai bem também com queijos intensos como parmesão e
gorgonzola. Arrisque com costela bovina assada na brasa até soltar a carne dos ossos.


Cerveja: Antuérpia Rock me Baby
Cervejaria: Antuérpia
Estilo: American Barleywine (com coco queimado e baunilha)
Teor alcoólico: 12%
Estou escrevendo esta coluna enquanto acontece no Rio de Janeiro o Mondial de La Bière 2019.

Uma das cervejas que está sendo apresentada lá é a Rock me Baby uma American Barley Wine com coco queimado e baunilha, envelhecida em barris de Bourbon. Aliás acabei de saber que essa belezinha conquistou medalha de ouro no M Beer Contest Rio 2019. Uma cerveja marrom, com feixes acobreados e média formação de espuma, como se espera de uma Barleywine com 12% de álcool.

No servir, um delicioso aroma de coco queimado inunda o ambiente, seguido por baunilha e madeira, emprestado pelos barris de carvalho americano usados na maturação de Bourbon, onde a cerveja repousa antes de ser engarrafada. Tudo isso muito bem estruturado sobre uma base intensa de maltes. Na boca, percebe-se o alto corpo no primeiro gole, acompanhado de textura licorosa. Sabores de coco queimado, baunilha, cacau, algum café, noz moscada, Whiskey e madeira se intercalam durante a degustação. Em relação as harmonizações, vale dizer que além de queijos fortes como parmesão, reblouchon e pecorino, esta cerveja funciona perfeitamente como um digestivo após as refeições, servida em um cálice de licor.

Por este mês é isso. Dúvidas ou sugestões? Entre em contato comigo através do e-mail luizcaro@gmail.com. Estou sempre atrás de boas novidades. Até o mês que vem.

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