Mudanças climáticas e seus efeitos na produção cervejeira

Os desequilíbrios ambientais causam cada vez mais alterações no meio ambiente, onde as mudanças climáticas são as mais visíveis. Seus efeitos já estão sendo sentidos, inclusive no meio cervejeiro, em especial no cultivo de insumos, como o lúpulo. Mas a indústria cervejeira não está parada, ao contrário, está atenta — e o melhor, agindo para combater este preocupante quadro.

 

Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), afirma que o aquecimento global é motivo de preocupação, sim, já que não se limita à cadeia da cerveja, pois, ao impactar o meio ambiente, afeta também a vida das pessoas. Com o que concorda Márcio Maciel, presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), para quem as mudanças climáticas já afetam toda a sociedade, com o aumento das temperaturas e do nível do mar, o agravamento das secas, chuvas, entre outras consequências.

 

Soluções potenciais

“Enfrentamos um grande desafio, mas existem soluções potenciais”, afirma Márcio, citando a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE), visando alcançar a neutralidade em carbono até 2050, atendendo ao Acordo de Paris, como um dos principais desafios do setor industrial.

 

Efeitos nos insumos

Por sua vez, o diretor técnico da Prodooze (SP), Rubens Mattos, revela que tem havido grande variabilidade de ano a ano e grandes alterações de níveis de chuva e temperaturas nas áreas de plantio de insumos cervejeiros. Já Alicia Muñoz, engenheira agrônoma especializada em sabores de lúpulo e cerveja e diretora técnica na BarthHaas (Alemanha), foca especificamente no lúpulo. Segundo ela, as condições climáticas durante o período de crescimento têm uma clara influência no desenvolvimento da planta e afetam diretamente a qualidade dos seus cones.

 

Causas diversas

Noemir Antoniazzi, engenheiro agrônomo e pesquisador de cevada na Agrária Malte (PR), aponta várias causas para as mudanças climáticas nos últimos anos: “Elas ocorrem há séculos, com ciclos definidos de aquecimento, resfriamento e excesso ou falta de chuvas, provocando impactos variados na agricultura, dependendo da espécie cultivada e do sistema de cultivo. Nos últimos anos, estamos enfrentando variações mais frequentes e de maior impacto, tanto econômico como social”.

 

Lúpulo, um dos mais afetados

“É bem conhecido que o clima afeta o rendimento da colheita e o teor de alfa-ácido do lúpulo. Em verões quentes e secos, por exemplo, o rendimento da substância amarga cai até 70% em comparação com os verões ideais. Hoje em dia, a mudança climática não é apenas um fato, mas também uma evidência”, explica Alicia. Com exceção de 2021, os últimos cinco verões foram descritos como secos e quentes. E essa mudança nas condições climáticas pode ser vista claramente nas colheitas dos últimos anos, acrescenta.

 

Regiões mais atingidas

As regiões de lúpulo mais afetadas pelas mudanças climáticas, segundo Alicia, estão na Europa Central. “A principal razão é porque os campos nos EUA são normalmente irrigados, enquanto na Europa, não. A irrigação das plantas ajuda a mitigar as condições climáticas extremas.” Segundo diz, a principal influência das condições climáticas extremas está no rendimento e no teor de alfa-ácido, bem como no teor de óleo do lúpulo. Mas nem todas as variedades reagem da mesma forma.

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Ilustração: Eduardo Soares

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