Um passeio pelo Velho Mundo — Francônia

Por Linus De Paoli, cervejeiro caseiro, Certified Cicerone®, engenheiro de desenvolvimento de veículos e guia etílico-turístico.

Pois é, foi só mudar pra Alemanha que já me perguntaram: “E aí? Já foi pra Bamberg?” Claro afinal, depois de Munique, Bamberg é a cidade alemã mais conhecida no Brasil cervejeiro seja pela sua fama de capital da cerveja na Alemanha, seja pela cervejaria homônima de Votorantim/SP. E para ser sincero, demorou um pouco até resolvermos ir lá conhecer Bamberg e suas lendárias cervejas defumadas. Demorou uns dois anos.

A primeira vez que fomos foi em Fevereiro de 2017. Naquela visita aprendi duas coisas valiosas sobre a cidade, nunca se hospede do lado da igreja (o sino toca cedo no domingo e a ressaca amplia o som dele) e a sempre olhe no site de onde quiser visitar para ver se tem visita no dia desejado (queria ir a Weyermann mas só depois aprendi que visitas guiadas só acontecem nas quartas-feiras). Dessa visita ficaram as lembranças das ótimas cervejas que tomamos e o som do sino de domingo.

Por isso mesmo quando o Alexandre Bazzo e a Janaína nós convidou para ir a Weiher (lá pertinho de Bamberg) para o Brazilian Day + Collab Brew na Brauerei Kundmüller com a Cervejaria Bamberg e depois dar um rolê com os melhores guias possíveis em Bamberg, não pensamos duas vezes. E lá fomos nós para Weiher, um vilarejo na região de Bamberg (região que tem cerca de 80 cervejarias em um levantamento feito pela Universidade de Bamberg em 2016), conhecer a premiada cervejaria da família Kundmüller.

Weiher realmente é minúscula e além da cervejaria não tem muito para ser visto, mas só esta já vale eleger um motorista da vez e ir lá visitar. Cervejas ótimas com ótimas comidas e se for um dia de sol, um lindo Biergarten. Quando chegamos por lá o local todo já estava decorado com bandeiras brasileiras para o evento e no cardápio da tradicional Brauhaus lia-se Feijoada e Moqueca. Uhmmmmm. Mas para quem for visitar o local em um dia normal, fique tranquilo, o Schnitzel da casa é de matar de bom. E as cervejas… Ahhhhh as cervejas… Vontade de ficar a vida toda bebendo só cerveja feita lá.

Depois de muita festa, muita cerveja e muito samba (sim, teve escola de samba só com músicos alemães) fomos a Bamberg. Eu, Renata e Roberto guiados pelo Alexandre e Janaína. Chegando lá, largamos o carro do lado do hotel que havia reservado (dessa vez um pouco mais distante dos sinos da igreja) e toca caminhar para o primeiro destino do dia. No caminho passamos pela famosa prefeitura antiga da cidade e por mais alguns pontos turísticos, todos propriamente apresentados pelos guias.

Primeira parada foi na Keesmann para uma Pils. E que Pils. Não aquela sua pilsenzinha do churrasco de domingo depois do futebol. Mas uma SENHORA PILS, de beber de joelhos feita pela super competente cervejeira proprietária do local. Segunda parada foi a cervejaria Mahrs. Lá a pedida foi um Ungespundet Lager, uma cerveja de baixa fermentação, fresca, não filtrada, uma especialidade da Francônia. De lá toca ir pra Spezial. E mais uma vez Bamberg me ensina uma lição. A Spezial fecha seu restaurante aos sábados às 2 da tarde.

E nós chegamos lá as 2:05. Demos com a cara na porta. Mas pelo menos do outro lado da rua fica a Fäslla onde sentamos para tomar mais algumas ótimas cervejas e bater papo com alguns clientes regulares que estavam sentados na mesa do lado. A impressão que ficou é que aquele grupo se encontra lá na cervejaria
todo sábado a tarde pra tomar cerveja já a uns 30 anos. E de lá fomos a última parada do dia, a mundialmente conhecida Schlenkerla, para sentar, comer e tomar mais uns 5 copos de Urbock defumada. Ou era Märzen? Sinceramente não lembro, mas estava divina. Mas não dou que de repente, depois de dois dias tomando ótimas cervejas alemãs, o Alexandre não me solta: “Cansei de cerveja tradicional alemã. E aí? Bora tomar umas cervejas hipster disruptivas?”

Não preciso nem falar a cara de espanto que todos fizemos, e toca procurar um bar para tomar cervejas hipster disruptivas em Bamberg as 11 da noite. E não foi que achamos o Pizzini, um bar de vinhos que virou um sujinho punk rock com algumas cervejas mais contemporâneas no cardápio. E foi assim que fechamos um ótimo final de semana com amigos e ótimas cervejas em Bamberg. Mesmo que não consiga reservar com o Alexandre para ele ser seu guia, afinal o cara passa o ano inteiro viajando de férias, vale a pena ir a
Bamberg e região para conhecer as maravilhosas cervejas lá produzidas.

>> Leia a última coluna de Linus de Paoli

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