New England Beer Calling — New York, New England!

Por Thiago Martini, beer sommelier, juiz BJCP, Certified Beer Server Cicerone e cervejeiro caseiro.

Após desbravar os seis estados da Nova Inglaterra atrás das NEIPAs, chegou a vez de ultrapassar as fronteiras. Assim, aproveitei o período natalino para visitar a iluminada Nova Iorque. Não porque em Boston não cheguem Hazy/Juicy IPAs de outros cantos dos Estados Unidos, mas vocês hão de concordar que para uma boa avaliação não existe nada melhor que ir buscar na fonte, aproveitando todo o frescor de uma bela cerveja lupulada.

Nova Iorque tem várias facetas – a frenética Manhattan, a diversidade cultural do Bronx ou ainda o populoso e remodelado Brooklyn, entre tantas outras. E foi no Brooklyn onde dediquei meus esforços devido a concentração de pequenas cervejarias surgidas recentemente, além da famosa Brooklyn Brewery.

A minha curiosidade estava para além de experimentar novas New England IPAs, eu desejava conhecer como funciona a cena cervejeira local e tudo que está se passando naquela região. Cervejarias selecionadas, GPS ligado, calçados confortáveis, alguns tickets de metrô e sede, era tudo o que eu precisava naquele momento.

Andando pelo Brooklyn já é possível observar a transformação que vem se passando por lá, com antigos galpões industriais se transformando em modernas residências, pequenos comércios, restaurantes, e claro, cervejarias e brewpubs. Numa linha quase reta de 8 km e quatro cervejarias, foi possível respirar aquele ar um tanto nostálgico e cosmopolita ao mesmo tempo, retratado tão bem nos filmes de Woody Allen.

Iniciei o percurso pela Other Half Brewing, e nesse dia havia 19 opções nas torneiras, sendo 11 NEIPAs. E foi fácil descobrir por que hoje ela é tão aclamada pelo público cervejeiro. As cervejas são maravilhosas e muito bem executadas. Volta e meia há produção de colaborativas entre ela e a Trillium, minha vizinha em Boston.

Seguindo o roteiro, fui atrás de duas pequenas cervejarias, ainda pouco conhecidas do público em geral. A Strong Rope Brewery, em seu intimista tap-room, com sua linha de cervejas das escolas inglesa, alemã, e claro, americana; e a Threes Brewing, e suas cervejas bastante interessantes da clássica escola belga, algumas com fermentação espontânea, juntamente com Ales e Lagers americanas tradicionais.

A saideira não poderia ser em um local mais apropriado do que a Brooklyn Brewery, não só pelas cervejas do mestre Garrett Oliver, mas também por toda a história que está por trás de um dos pilares do ressurgimento da cerveja artesanal dos Estados Unidos em meados da década de 80. Muito do que vemos hoje no mercado americano de cervejas artesanais se deve a dedicação e ousadia por parte da Brooklyn e da Samuel Adams, entre outras.

Por fim, estiquei a viagem de final de ano e na próxima coluna vou trazer a cena cervejeira e curiosidades sobre o tema em Filadélfia e Washington DC. Grande abraço e boas cervejas.

>> Leia a última coluna de Thiago Martini

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