New England Beer Calling — “Philly”: aliando cerveja e história

Por Thiago Martini, beer sommelier, juiz BJCP, Certified Beer Server Cicerone e cervejeiro caseiro.

Dando continuidade ao relato da viagem do final do ano passado, saindo da região da Nova Inglaterra para experimentar novas cervejas e após passar por Nova York, mais precisamente pela região do Brooklyn, agora chega a vez de conhecer a cena cervejeira de outra importante cidade americana: Filadélfia.

Filadélfia é a capital da Pensilvânia, onde segundo o Brewers Association (BA), é o estado com a maior produção de cerveja artesanal no país, deixando a Califórnia em segundo lugar. Para se ter ideia da evolução, Pensilvânia em 2013 contava com cerca de 100 cervejarias artesanais, entre micro, regionais e brewpubs. Agora, de acordo com os últimos registros no BA, o estado já atingiu a marca de 435, mostrando o forte movimento da cultura cervejeira local.

Curiosamente, Filadélfia e Boston são, sem sombra de dúvidas, as cidades que mais influenciaram, entre revoltas e assembleias, a independência dos Estados Unidos. A vocação cervejeira de ambas cidades vem do legado anglo-saxão, que determina até hoje a cultura local e nos apresentam grandes cervejas. Se em Boston ocorreu a primeira grande manifestação contrária ao Império Britânico, no evento conhecido como Tea Party, em 1773, capitaneado por Samuel Adams, foi na Filadélfia que se deu o ato da Declaração de Independência em 4 de julho de 1776, redigida por Thomas Jefferson.

Mas voltando ao que mais interessa, diante de todo esse pano de fundo histórico, visitei três cervejarias em “Philly”, como é carinhosamente chamada a cidade pelos seus habitantes. Comecei pela Yards Brewing, uma cervejaria de maior porte e conceituada pelo BA como regional, onde se encontra um ambiente com uma pegada bem inglesa e estilos desta escola como Bitter, Stout, Porter e Mild. Diversos rótulos brincam com a herança histórica como por exemplo a Jefferson’s Golden Ale ou a Washington’s Porter ou ainda um 12-pack chamado de Ales of the Revolution Variety.

Depois, sigo até a Roy Pitz Brewing no seu brewpub chamado de Barrel House e seu conceito “Liquid Art”, que remete a maneira de se produzir de forma artesanal. O nome pomposo faz jus a um estilo mais moderno e voltado para aquilo que vi muito no mercado cervejeiro artesanal americano, com muito foco nos diversos sub-estilos da família American IPA e várias versões de American Wild. Ou seja, de um lado muito lúpulo e de outro a acidez. Pude conferir boas New England IPAs da casa, assim como algumas interessantes Sours maturadas em barris de madeira.

Alguns quarteirões a frente chego na Love City Brewing. Este nome é em referência a outro apelido carinhoso da cidade: City of Brotherly Love, ou Cidade do AmorFraternal. Um lugar simples, mas bastante amigável com uma decoração que remete ao rústico industrial. Haviam 11 opções nas torneiras, sendo quatro cervejas clássicas da casa e sete sazonais abrangendo todas as quatro principais escolas cervejeiras. Claro que quando vi na carta uma Haze IPA não pude resistir, assim como uma bela versão de English Brown Ale também degustada.

A experiência cervejeira em Filadélfia foi muito interessante, aliado a toda essa carga histórica da origem dos Estados Unidos. A cerveja realmente faz parte desta cidade, onde os habitantes locais se juntam com turistas afim de celebrar um convívio harmonioso e civilizado. Meu próximo passo será apresentar sobre a cerveja na capital americana, Washington DC. Grande abraço e boas cervejas!

> Leia a última coluna de Thiago Martini

 

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