Caropreso com cerveja: cervejas para enfrentar o calor

Por Luiz Caropreso, sommelier de cervejas, professor pela Doemens Akademie e diretor da BeerBiz — Cultura Cervejeira.

Olá meus amigos cervejeiros. Pelo visto o ano já começou “pegando fogo”!

Um calor de fritar os miolos tomou conta do país, de norte a sul. Mas, como somos privilegiados devotos e apreciadores dos néctares de Ninkasi, podemos arrefecer nossos corpos com cervejas refrescantes, muito apropriadas para esse verão tropical. Vamos às minhas sugestões.

Cerveja: Duna

Cervejaria: Júpiter, São Paulo – SP

Estilo: Brut IPA

ABV: 6%

Uma das tendências que chegou forte para este ano são as Brut IPA.

Cervejas super atenuadas, geralmente de coloração amarelo pálido e muito “borbulhantes”.

Entre elas quero destacar a Duna da Jupiter, cervejaria paulista que produz, entre outras a icônica 10 Lúpulos.

A Duna é exatamente o que eu busco para me refrescar no calor. Sua apresentação em atrativa lata com 473 ml propicia muita facilidade para ser transportada e consumida na praia ou na piscina.

Apesar de bem seca – está com 1000 de Gravidade Final – ela tem bastante personalidade aromática, proveniente principalmente dos lúpulos muito bem inseridos. A fim de chegar nesse final de boca seco que remete aos champanhes tipo Brut, foram utilizados em sua receita, além dos maltes de cevada, flocos de milho e de arroz.

Para harmonizar, vou no óbvio: frutos do mar, especialmente ostras frescas, apenas com sal e limão,  mariscos (inclusive as deliciosas lambretas), caranguejos ou siris aferventados e frutas frescas como morangos, uvas e manga.


Cerveja: Vó Maria e seu lado Zen

Cervejaria: Avós, São Paulo, SP

Estilo: American Lager/India Pale Lager

ABV: 4,9%

A Avós é uma cervejaria paulista que se orgulha, com muita razão, de suas Lagers. E esta cerveja é, digamos assim, seu carro chefe.

De coloração dourada, com excelente formação de espuma muito alva e densa, essa cerveja é o que eu gostaria de encontrar se estivesse num deserto, nas dunas maranhenses e potiguares ou numa praia ensolarada.

Leve, com baixo teor alcoólico, exala perfumes de frutas como maracujá e cítricos como casca de limão siciliano, além de trazer ao palato agradáveis sabores de cereais.

Proponho harmonizar com tainha assada na brasa, guarnecida de pirão de peixe, moqueca capixaba e compota de caju, carambola ou abacaxi.


MoradaCerveja: Cupuaçu Brut

Cervejaria: Morada Cia. Etílica,  Curitiba, PR

Estilo: Bière Brut

ABV: 11,5%

Partindo da base da Cupuaçu Sour, Andre Junqueira criou esta Bière Brut aromática, com acidez marcante que lhe dá personalidade e de final seco. Após brassada, a cerveja é enviada a uma vinícola paranaense por onde passa pelo método champenoise, sendo refermentada com levedura de champanhe, envasada em elegantes garrafas de espumante e arrolhada, após o que, matura por 12 meses numa cave.

Aromas dos fermentados franceses, provenientes das leveduras da refermentação se misturam harmoniosamente aos da fruta amazônica presente na receita.

Ao servir, a taça se veste de um suave dourado com formação de espuma elegante e um “perlage” que se mantém durante um bom tempo.

Seu teor alcoólico de 11,5% está na mesma faixa dos bons espumantes e champanhes. Deve ser degustada em taças de cristal tipo flute para trazer mais prazer aos felizardos consumidores.

Acompanhe com nozes, castanhas frutas passas e queijos não muito intensos e pouco maturados como camembert, gruyère e chèvre.


Cerveja: Tannat Barbe Rouge

Cervejaria: Colaborativa entre a Dádiva de Várzea Paulista, SP com a portuguesa Mean Sardine.

Estilo: NE IPA

Teor alcoólico: 5,4%

Eis aqui um exemplo de que cervejas e vinhos podem conviver harmoniosamente. Aliás, mais que isso, o acréscimo de suco de uva Tannat e a utilização do lúpulo francês Barbe Rouge, trouxeram sabores marcantes e diferenciados de frutas, além de florais para esta cerveja com coloração levemente rosada e textura frisante.

O resultado é uma cerveja extremamente saborosa e refrescante, muito apropriada para nosso verão.

Vamos homenagear Portugal, sugerindo combinar com Bolinhos de Bacalhau e Bacalhau à Gomes de Sá. Para sobremesa podemos abocanhar alguns Pastéis de nata,  de Belém ou de Santa Clara.

Espero que minhas dicas ajudem a enfrentar o calor de um jeito mais refrescante e prazeroso.

Até a próxima.

3 Comments

  1. Acho que o Caropreso quis dizer calor da Sibéria ne???

    • Luiz Caropreso

      Júlio, se um dia fizer um calor desses na Sibéria, deve ser porque o tal “segundo sol” do Nando Reis realmente chegou. Abraço

  2. Pingback: Caropreso com cerveja: surpresas borbulhantes - Revista da Cerveja

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*